terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Portugal - Mínimos históricos marcam transacções de escritórios e centros comerciais

Mercado imobiliário português teve em 2010 um ano de baixa actividade na instalação de empresas em novos espaços, mas o volume de investimento em activos cresceu 25%, segundo a Cushman & Wakefield.
Lagoas Park teve nova oferta de escritórios em 2010.
O ano 2010 foi marcado por mínimos históricos no mercado imobiliário nacional, designadamente ao nível do arrendamento de escritórios e da abertura de nova área de centros comerciais, revelou hoje a consultora Cushman & Wakefield.
O mercado de ocupação de escritórios somou 106 mil metros quadrados de área negociada em 2010. “Foi um mínimo histórico”, comentou Marta Leote, responsável de “research” da Cushman & Wakefield, assinalando que a maior parte dos arrendamentos foram áreas abaixo dos 500 metros quadrados.
Marta Leote indicou, numa apresentação do estudo Marketbeat Primavera 2011, que “para os próximos três anos teremos um 'pipeline' [de nova oferta de escritórios] reduzido, de 160 mil metros quadrados”.
A mesma responsável acrescentou que sobre este segmento imobiliário paira a ameaça do desemprego, já que a continuação do crescimento dos desempregados deverá pôr as empresas a procurar reduzir os espaços que ocupam, deprimindo o mercado de arrendamento de escritórios.
Ao nível do retalho, 2010 foi igualmente negativo para os centros comerciais, com apenas um número reduzido de novas aberturas (onde se destacaram os projectos Liberdade Fashion Street, Leiria Shopping e Barreiro Retail). Os 90 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) inaugurada em 2010 são o valor mais baixo desde o ano 2001.
Mesmo assim, na perspectiva dos retalhistas 2011 poderá ser um ano de oportunidades. “É uma boa altura para expansão no mercado português, porque há disponibilidade de espaços e rendas mais baixas”, comentou Marta Leote.
Investimento a recuperar
Apesar da tendência de queda nas novas ocupações de escritórios e centros comerciais, o mercado de investimento em activos imobiliários de rendimento tem vindo a crescer e em 2010 somou 730 milhões de euros de transacções, segundo a Cushman & Wakefield, dos quais 70% pela mão de investidores nacionais. O volume de investimento cresceu 25% face a 2009.
“Acreditamos que 2011 vai trazer mais negócios ao mercado”, indicou Marta Leote, lembrando que “há bons activos em Portugal e boas oportunidades em termos de preço”.
A Cushman & Wakefield estima que os “yields” das transacções de investimento imobiliário em Portugal permaneçam estáveis em 2011, depois de em 2010 já terem feito algumas correcções.
De acordo com a consultora, os “yields” para activos considerados “prime” situavam-se em 7% no mercado de escritórios, 6,5% no de retalho e 8,5% no industrial.
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