O corte de "rating" a cinco bancos portugueses efectuado ontem pela Standard & Poor’s está errado e agrega enganosamente Portugal e Grécia, Irlanda e Espanha, acusa o CEO do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI).
Em declarações à cadeia televisiva CNBC, José Maria Ricciardi defendeu que a economia portuguesa é totalmente díspar das restantes com que está a ser comparada. “A nossa economia é completamente diferente. Não podemos compará-la com a Grécia ou com a Irlanda. Temos um sólido sistema financeiro”, afirmou.
Recorde-se que, ontem, a agência de notação financeira Standard & Poor’s cortou a classificação do BPI, BCP, BES, CGD e Santander Totta devido às dificuldades de Portugal e na sequência do corte de “rating” da dívida soberana no final da semana passada.
Ricciardi disse à CNBC que não concorda com a decisão da S&P de cortar o “rating” do BES, afirmando que o banco tem sido bastante rentável e acrescentando que perto de 50% da sua actividade está fora de Portugal. No que diz respeito ao BESI, que é o ramo de investimento do BES, esse número é de 80%, declarou o seu presidente executivo.
“A nossa situação é completamente diferente. Os nossos bancos são saudáveis, não têm qualquer problema, não temos um problema no mercado imobiliário como tem Espanha. Os bancos são rentáveis, não apresentam quaisquer problemas com os seus activos e estão a ter um óptimo desempenho”, sublinhou José Maria Ricciardi.
O CEO do BESI referiu ainda que os problemas de Portugal são, antes de mais, políticos, tendo admitido a necessidade de se resolver a actual instabilidade do país. A economia portuguesa “não está em grande forma”, declarou à CNBC.
No entanto, considera que os mercados financeiros têm reagido exageradamente em relação a Portugal. “Os juros que estamos a observar para o risco soberano são, na minha opinião, demasiado elevados, já que não houve uma particular deterioração da economia portuguesa nos últimos 12 meses”.
Ricciardi acrescentou ainda que Portugal já realizou substanciais progressos e que tem como meta um défice orçamental de 4,6% do PIB para este ano, contra 7,3% em 2010.
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