quinta-feira, 3 de março de 2011
Envolvido em polêmica imobiliária, jornal baiano A Tarde tem sua sede disputada por empreiteiras
Além do blog do porta-voz da Presidência da República no governo Collor, informes sobre negociação também foram publicados por sites especializados em economia da Bahia. A ex-editora de Empregos & Negócios de A Tarde, Sara Barnuevo, afirmou ao Portal IMPRENSA ter informação de que o terreno será entregue a Odebrecht em 2012, ano em que o jornal comemora seu centenário.
"O negócio seria sacramentado na base da permuta física, cabendo à família Simões (proprietária de A Tarde) algumas unidades do empreendimento em troca do terreno. Durante o período de construção, a Odebrecht se encarregará de alocar a Desenbahia e a redação de A Tarde em algum dos seus imóveis", escreveu Barnuevo em seu blog.
Procurada pelo Portal IMPRENSA, a Odebrecht respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que "não confirma a negociação". Por sua vez, o superintendente do Grupo A Tarde, Sylvio Simões foi taxativo em sua negativa: "Não há nada, não estamos negociando a sede com quem quer que seja". Porém, ele admitiu que o parque gráfico do jornal será transferido para cidade de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. A reportagem ainda aguarda contato da construtora OAS.
Caso Aguirre
A Tarde passou por uma crise há menos de um mês, após a direção demitir, em 10 de fevereiro, o repórter Aguirre Peixoto, por suposta pressão de empresas do mercado imobiliário de Salvador. Ele publicou matérias em que denunciava crimes ambientais de empreiteiras e construtoras em obras em parceria com o governo do estado. Em retaliação à demissão, a redação entrou em "estado de greve" e o editor-chefe Florisvaldo Matos se demitiu, sendo substituído por Ricardo Mendes.
Diante da repercussão do caso, a direção readmitiu Aguirre Peixoto, mas impôs uma suspensão de 30 dias. O repórter aceitou voltar ao jornal após a punição ser anulada. Ele recebeu ainda duas semanas de folga em razão de horas acumuladas de trabalho. "Foi um erro pontual e o episódio já foi superado", declarou Sylvio Simões.
A Tarde contratou duas consultorias para reestruturar a empresa depois que o jornal perdeu a liderança histórica em circulação na Bahia para o concorrente Correio, a partir de outubro do ano passado. Relatório do IVC do último mês de janeiro indica que o jornal da família do falecido Antonio Carlos Magalhães vendeu 53,4 mil exemplares em média, e A Tarde, 46 mil.
http://portalimprensa.uol.com.br
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Global Equipamentos recebe 300 convidados para inauguração de filial em Salvador
O setor de máquinas e equipamentos no Brasil passa por um momento de grandes expectativas, com a alta demanda por produtos que atendam as necessidades do mercado imobiliário e dos projetos previstos para sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo.
Dados de um estudo realizado pela Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção), indicam que a comercialização interna de equipamentos para construção em 2010 deve superar em cerca de 38% a alta histórica alcançada em 2008. Para este ano, a projeção é de alta de 10,3%, com cerca de 77.820 equipamentos vendidos.
Neste cenário de otimismo, foi inaugurada ontem a filial da Global Equipamentos, em Salvador, na Bahia, com a presença de cerca de 300 convidados, entre eles muitos empresários do setor, interessados na aquisição de máquinas e equipamentos de qualidade para atender a demanda crescente dos segmentos baiano de mineração, da construção civil e de obras de infraestrutura.
A empresa, que faz parte do grupo BMC e já era a distribuidora oficial dos produtos Hyundai, Shantui, XCMG, Zoomlion e Daemo no Espírito Santo, agora passa a oferecer a variedade de máquinas pesadas de construção e movimentação de carga também para o Estado da Bahia.
“As expectativas não podiam ser melhores. Viemos atender um mercado em franca expansão, pois há uma projeção do mercado imobiliário de lançar 80 mil unidades habitacionais nos próximos dez anos em Salvador, que também é uma das cidades-sedes da Copa de 2014. A Bahia é o Estado de maior PIB na região Nordeste e trata-se de um importante pólo industrial. A revenda chega para suprir estes mercados com equipamentos de qualidade e com preço competitivo. Fechamos a inauguração com 17 equipamentos vendidos, isto mostra que já estamos a todo vapor”, reforça Noel Teixeira, diretor da Global.
Perfil-A Brasil Maquinas foi fundada em 2007 com objetivo de trazer ao mercado brasileiro equipamentos de construção e movimentação de carga inovadores, com alta qualidade, tecnologia avançada e ampla rede de atendimento.
Para tanto, a empresa representa no Brasil gigantes internacionais do setor da construção, como a Hyundai Construction Equipment (Divisão de Equipamentos de Construção da Hyundai Heavy Industries), XCMG, Zoomlion e Daemo.
http://www.revistafator.com.br
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Diretor: A Tarde não recebe pressões do mercado imobiliário
Em protesto, a redação emitiu uma carta aberta e fará paralisações diárias de duas horas. Terra Magazine ouviu o diretor-executivo do Grupo A Tarde, Sylvio Simões, que procurou esclarecer o episódio. Segundo Simões, a demissão se deve "muito mais (a) uma questão de relações de poder interno, do que (a) qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria". Ele rejeita a informação de bastidores, frequente na blogosfera e nas redes sociais, de que o jornal recebeu pressões de empreiteiros.
- Obviamente, é bom que se saiba, "A Tarde" não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial - afirma Sylvio Simões.
Os repórteres relatam que um dos membros da família proprietária, Ranulfo Bocayuva, teria posto seu cargo à disposição, em desacordo com os primos. O fundador do antigo vespertino, Ernesto Simões, deixou três filhos (Regina, com 50% das ações, Renato e Vera, 25% cada um); o jornal é administrado, atualmente, pelos seus netos Sylvio, Ranulfo e Renato. O IVC (Instituto Verificador de Circulação) indicou que, pela primeira vez na história, a tiragem de "A Tarde" foi superada por um concorrente, o "Correio", da família do ex-senador Antonio Carlos Magalhães.
O diretor-executivo, Sylvio Simões, desmente ainda a venda de ações de "A Tarde" para empresas do mercado imobiliário, principalmente dos construtores Francisco Bastos e Carlos Suarez:
- Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos).
Ele afirma que a demissão pode ser reparada "no futuro", e "não agora". Confira a entrevista.
Terra Magazine - O que ocorreu no episódio da demissão do repórter Aguirre Peixoto?
Sylvio Simões - Foi uma atitude da direção em relação a um redirecionamento da nossa atividade de comunicação. É só esse o ponto. É uma coisa que estão dando uma dimensão na qual não faz "A Tarde". "A Tarde" tem uma posição muito clara, muito nítida, muito transparente, em relação aos seus propósitos. É um momento de mudanças muito grandes na empresa. O mundo está mudando e nós estamos mudando. As coisas estão se estabelecendo de uma maneira que, às vezes, há um nível de conflito interno, natural. A gente tem que tocar o barco. Obviamente, é bom que se saiba, "A Tarde" não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial.
O que a redação argumenta é que o repórter foi demitido depois de publicar uma matéria sobre a questão imobiliária, em Salvador. O que vocês dizem?
A razão não foi essa, foi muito mais uma discordância dentro da dinâmica da gestão da empresa. Por ventura, tentaram evidenciar uma carta dando exatamente esse sentido, que não é verdadeiro e o tempo vai exatamente demonstrar que foi muito mais uma questão de relações de poder interno, do que qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria, seja em relação ao mundo imobiliário, em relação ao governo, em relação ao mundo agrícola. Sempre tivemos um princípio muito claro: nós temos um compromisso substantivo com a cidadania. Temos a obrigação na construção de um novo mundo civilizatório.
E por que Aguirre Peixoto foi escolhido?
Isso, na realidade, é que é lamentável. É lamentável que tenha acontecido essa questão com Aguirre, é lamentável. Mas a gente lamenta o que aconteceu com Aguirre. Foi um desentendimento em relação à questão da visão diretiva do grupo. Isso pode ser reparado no futuro. Não agora, porque aí seria acatar uma posição diretiva de total discordância no centro de decisões da empresa.
Não há acordo com os jornalistas? Ele estão numa paralisação de duas horas.
Rapaz, eu acho que não. Eles estão obviamente conversando com o sindicato e amanhã nós vamos ter uma conversa exatamente explicitando todos esses pontos que estamos falando. Porque há uma afetividade muito grande dos jornalistas com "A Tarde". Na realidade, foi muito mais um problema de ordem diretiva da empresa, do que estão tentando afirmar. "A Tarde" não tem nenhum tipo de problema com qualquer área da atividade econômica, porque nós temos uma independência muito clara e todo mundo sabe na Bahia disso.
Não houve um corte de anúncios do setor imobiliário?
Nunca houve corte de anúncios. Não é verdade. A construção civil, aqui no Estado da Bahia, neste ano que passou, os insumos subiram muito e houve uma redução da atividade imobiliária. Houve uma redução da atividade imobiliária. Isso aí, se você puder pesquisar, eu até lhe agradeço. Por exemplo, no governo também houve uma redução de publicidade. Porque, você sabe, nas eleições para governador e para presidente da República, fica limitada a possibilidade de fazer publicidade. Teve duas reduções: uma redução do mercado imobiliário, as construtoras pararam de construir como estavam fazendo; e tem a questão da retração do próprio governo. E na área de telefonia também houve um ajustamento.
E as notícias que estão nos blogs, de que "A Tarde"...
Essas notícias que estão nos blogs correm, exatamente, de uma posição adotada, antagônica à posição da direção.
O jornal não está à venda? Circula que o jornal estaria negociando a venda de parte das ações para o mercado imobiliário, com os empresários Francisco Bastos e Carlos Suarez.
Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo "A Tarde", eu e meu sócio compramos (risos) Compramos na mesma hora. Eu mesmo tô doido pra comprar. Se você conseguir aí alguns sócios pra eles venderem, eu compro! Então, a questão foi muito mais do fórum de conflito diretivo, do qual realmente a gente adotou uma posição. Lamentavelmente, surgiu esse problema, no momento em que estamos fazendo grandes mudanças. Estamos, por exemplo, montando uma nova concepção estratégica. Estamos nos preparando para a festa dos 100 anos. Uma máquina nova, um sistema de governança, com a empresa alinhada para os próximos 20 anos.
Como foi tomada essa decisão de demitir Aguirre? Isso não fica restrito à redação, à secretaria de redação?
Olha, houve uma discordância aí realmente. A parte do corpo diretivo...
Seu primo, Ranulfo Bocayuva?
Não vejo como uma questão de parente, não. Vejo como questão de executivos. Que é uma questão nossa, no primeiro momento. Na área dos executivos, realmente, a gente acabou tomando uma decisão majoritária e aconteceu esse episódio. Mas, obviamente, a gente desenhou a questão do comando da empresa em relação à política da qual a empresa tem estabelecido ao longo de todos os anos. "A Tarde" nunca teve uma posição sistemática. "A Tarde" sempre foi crítica, no momento de ser crítica, e no momento de se elogiar, a gente elogia. A gente não pode adotar posições sistemáticas em relação a coisa alguma. Nesse novo Brasil, é preciso muito mais competência, porque você fazer as mudanças, as transferências de renda, com sensatez, é muito difícil. É o que a gente está tentando fazer aqui. Estou fazendo apenas uma analogia. Esse pano de fundo que está sendo divulgado não é verdadeiro.
Como o senhor vê as críticas à expansão imobiliária em Salvador? É muito agressiva para a cidade?
Olha, essa questão imobiliária em relação à cidade de Salvador não advém de agora. Ela agora tomou uma dimensão maior. O que está faltando é um PDDU bem desenhado e bem definido. Isso cabe à atividade pública, à Prefeitura da cidade do Salvador. Ela precisa sentar com todos os atores e desenhar um plano que acolha a questão do meio ambiente e que acolha também a questão das pessoas. O grande problema do jornal brasileiro é que ele é absolutamente factual. O fato ninguém discute. Mas os jornais da Europa e da América do Sul são analíticos e críticos. Essa é uma grande discussão que a gente precisa ter. A gente não pode transformar o mercado imobiliário como se fosse uma coisa unívoca. Tem empresas que atuam com seriedade, com responsabilidade, etc., e tem outras que muitas vezes não atuam e precisam ser criticadas.
"A Tarde" vai continuar publicando matérias críticas em relação a essa expansão imobiliária?
Ah, sem dúvida, sem dúvida, desde que haja motivo e razão a gente vai tomar posição crítica em relação ao mercado imobiliário e em relação a qualquer mercado. Agora, o que nós temos levantado é o seguinte, em relação a todos os jornais, não só do Brasil, mas do mundo. A gente está perdendo leitores porque o mundo mudou de paradigma e a gente não mudou. Qual é o paradigma? Qualquer atividade é gratificante. Existe uma coisa mais bonita do que trabalhar para construir as coisas? Então, os jornais precisam começar a apoiar a atividade de imóvel. E criticar a operação. O sujeito fez uma ponte errada? Você chega e baixa o cacete, porque a ponte foi mal construída. Sabe o que vai acontecer? Aqueles que constroem pontes erradas, até um Estado socialista vai dizer. Agora, se você transforma aquela ponte quebrada em todos os construtores de ponte constroem pontes ruins, aí é um problema. Até para a relação humana. A nossa reflexão é focar numa análise crítica. Isso é inabalável.
Aguirre foi demitido por causa do posicionamento editorial em relação à construção civil?
De forma alguma, foi muito mais por uma questão de discordância do corpo diretivo, que adotou uma posição. E essa posição não estava sendo estabelecida. As coisas estão caminhando dentro da dinâmica sistemática, e aí transformava todo mundo em japonês. Isso não é possível. A gente só é sistemático quando a gente não tem razão. Quando a gente tem razão, uma matéria bem dada resolve o problema.
Tem lhe incomodado o fato de os jornalistas falarem da vinculação da família Simões com negócios imobiliários?
Não há vinculação nenhuma. Não temos nenhum negócio no mercado imobiliário.
Eles falam de uma empresa de venda de imóveis de sua família.
Nós não temos nenhuma empresa imobiliária. Se tem, é de minha mulher e eu não participo. O jornal, ao contrário, não traz nenhum benefício, nem também nenhum malefício à atividade dela. Por quê? Ela é uma empresa de porte, associada a uma empresa de São Paulo, é a segunda empresa da Bahia. É meu segundo casamento, portanto não tem nada a ver com meu negócio.
http://terramagazine.terra.com.br
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Em carta aberta, jornalistas de A Tarde protestam contra a demissão de repórter por Bahia Toda Hora
CARTA ABERTA
“Hoje é um dia triste para não só para nossa história pessoal, mas também para A TARDE e, principalmente, para o jornalismo da Bahia. Um dia em que A TARDE, um jornal quase centenário e que já foi o maior do Norte e Nordeste e que tinha o singelo slogan “Saiu n´A TARDE é verdade” se curvou. Cedeu a pressões econômicas difusas e demitiu um profissional exemplar.
Aguirre Peixoto teve a cabeça entregue em uma bandeja de prata a empresas do mercado imobiliário em uma tentativa de atração/reaproximação com anunciantes deste setor. Tentativa esta que pode dar certo ou não. Uma medida justificada por um suposto “erro grosseiro” não reconhecido pela Diretoria de Jornalismo, pelo Editor-Executivo, pelo Editor-Chefe, por secretários de Redação, Editor Coordenador ou editores de Política.
Uma medida, enfim, que só pode ser entendida como uma demonstração de força excessiva, intimidatória à autoridade da Direção de Jornalismo, à Coordenação de Brasil e à Editoria de Política. Uma demonstração de força desproporcional, porque forte não é aquele que age com força contra algo ou alguém mais fraco. Forte seria enfrentar, como o jornalismo de A TARDE estava enfrentando, empresários que iludidos pela promessa do lucro fácil e rápido põem em risco recursos financeiros de consumidores, o meio ambiente da cidade e que aviltam, desta forma, toda a cidadania soteropolitana.
Aguirre era o elo mais fraco da corrente. Acima dele havia editores, coordenador, secretários de redação, editor-executivo, editor-chefe, diretor de Jornalismo. Todos, em alguma medida, aprovaram a pauta, orientaram o trabalho de reportagem e autorizaram a publicação da reportagem. Isso foi feito sem irresponsabilidades, pois não foi constatado nenhum erro, muito menos um “erro grosseiro”. Se algum erro foi cometido, o erro foi o da prática do jornalismo, uma atividade cada vez mais subversiva em época em que propositadamente se misturam alhos e bugalhos para confundir, iludir, manipular a opinião publica, a sociedade, a cidadania. É de se estranhar que uma empresa que se coloca como defensora da cidadania aja de tão vil maneira contra um de seus melhores profissionais.
Recapitulando, Aguirre foi pautado para dar sequência às reportagens que fazia sobre a Tecnovia (antigo Parque Tecnológico). O fato novo era uma liminar concedida pela 10ª Vara Federal em que cassava multa aplicada ao empreendimento pelo Ibama. Era essa a pauta. No dia seguinte, a Tribuna da Bahia publicou matéria em que dizia que a liminar (decisão que pode ser revista) acabava com o processo criminal contra o empreendimento, que envolve Governo do Estado e duas poderosas construtoras. A matéria de A TARDE – dentro do padrão de qualidade que um dia fez deste um jornal de referência – ouviu o MPF e mostrou que se tratavam de dois processos distintos. O da multa, que foi cassada liminarmente e que o MPF afirmava que recorreria da decisão; e o criminal, que continuava em tramitação normal. A matéria de A TARDE estava tão certa que o MPF, posteriormente, publicou nota oficial na qual desmentia o teor da reportagem da Tribuna da Bahia (jornal que serve a interesses não republicanos, para dizer o mínimo). Essa foi a razão suficiente para o repórter ter a cabeça entregue como prêmio a possíveis anunciantes.
O interesse público? A defesa da cidadania? O histórico ético, de manchetes exclusivas, de boas e importantes reportagens? Nada disso importou a A TARDE. Importou a satisfação a um grupo de empresários, a uma, duas ou três fontes insatisfeitas. Voltamos a tempos medievais, quando fontes e órgãos insatisfeitos mandavam em A TARDE, colocavam e derrubavam profissionais. Tempo em que o jornalismo era mínimo.
“Jornalismo é oposição. O resto é balcão de secos e molhados”. Essa é uma famosa frase de Millor Fernandes. Dispensado o radicalismo dela, é de se ter em mente que Jornalismo é uma atividade que incomoda. Defender o conjunto da sociedade, seu lado mais fraco, incomoda. É preciso que a Direção de A TARDE entenda que a sustentabilidade do negócio jornal depende do seu grau de alinhamento com a sociedade civil (organizada e, principalmente, desorganizada). A força de um veículo de comunicação não está nos números de circulação ou de de anunciantes, mas nas batalhas travadas em prol dos direitos coletivos e individuais diariamente aviltados pelo bruto e burro poder econômico.
Credibilidade é um valor que se conquista um pouco a cada dia e que se perde em segundos. E, graças a ações como esta, a credibilidade de A TARDE escorre pelo ralo a incrível velocidade, assim como sua liderança, assim como seus anunciantes. Sem jornalismo, o jornal (qualquer jornal) pode sobreviver alguns anos de anúncios amigos. Mas com jornalismo, um jornal sobrevive à história”.
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
A HORA E A VEZ DE INVESTIR EM IMOVÉIS
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domingo, 2 de janeiro de 2011
Mercado imobiliário da Bahia amplia investimentos no interior
Na busca por novas fronteiras para alimentar uma expectativa de 10% de crescimento em 2011, o mercado imobiliário está investindo cada vez mais no interior. Dos 10,8 mil imóveis lançados até o mês de outubro, 2,8 mil tem Feira de Santana como endereço, de acordo com a Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA). Se a Princesa do Sertão já é considerada uma realidade, despontam como promessas Vitória da Conquista, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, no oeste, Ilhéus e Itabuna, no sul.
É difícil encontrar algum lugar em Salvador que ainda não esteja construído, ou em obras. Quando se encontra, o preço dos terrenos é quase proibitivo. Por outro lado, os investimentos na economia baiana estão cada vez mais descentralizados.Em 2010, 70% das novas empresas se instalaram fora da Região Metropolitana de Salvador (RMS), conforme a Secretaria de Indústria Comércio e Mineração (SICM).
Minha Casa - O Programa Minha Casa Minha Vida é outro fator importante para a compreensão desta descoberta do interior pelo mercado imobiliário. Dos 70 mil contratos assinados na primeira fase do programa, 40 mil estão fora da RMS. Feira de Santana, com 9,5 mil unidades contratadas, lidera a contagem no interior. Conquista aparece com 2,9 mil contratos, Itabuna tem 2,15 mil e Barreiras tem 904, segundo a Caixa Econômica Federal (CEF).
Na nova fase do programa, estão previstas dois milhões de unidades em todo o Brasil, com a expectativa de que na Bahia pelo menos confirme a tendência de receber entre 6% e 7% do orçamento do programa. “Este ano que passou conseguimos superar a meta”, destaca o gerente de habitação da CEF, Adelson Prata.
Uma novidade importante para esta segunda fase é a inclusão de cidades com menos de 50 mil habitantes no programa. Outra mudança é que o percentual para atendimento à população com renda entre 0 e 3 salários mínimos deve passar de 40% para 60%, diz Prata.
“Há uma carência grande de terrenos em Salvador”, avalia Adelson Prata. Até áreas da RMS fora da capital já estão ficando caras, completa. “Isso cria algumas dificuldades aqui para atender o público de 0 a 3 salários, mas prejudica também quem ganha até 10 salários”.
Fora da RMS o destaque é atendimento do público com renda inferior aos 10 salários mínimos. A Ademi acredita que ainda existe espaço para investimentos de alto padrão, mas grande parte do crescimento de 10% previsto para 2011 se dará na classe C. E com uma contribuição grande das unidades fora da RMS. “Tem milhões de pessoas entrando na classe, então é lá que estão as oportunidades”, avalia o diretor técnico da Ademi, Luciano Muricy.
Para ele, o mercado imobiliário se movimentará para alcançar cada vez mais este público. Ainda segundo Muricy, em Feira de Santana, os lançamentos em 2010 foram 100% residenciais, com um preço médio de R$ 70 mil.
Donaldson Gomes l A TARDE e Reginaldo Pereira/Agência A TARDE. Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A Tarde desta terça-feira, 28, ou, se você é assinante, acesse aqui a versão digital.
Fonte:
http://www.rcarvalhoconstrutora.com.br