Esse ano, sem dúvida, a construção civil e os seus segmentos estiveram em evidência. Seja pela ampliação do crédito imobiliário, as desonerações tributárias para o setor, os incentivos aos projetos de habitação, os investimentos em obras de infraestrutura ou pelas projeções fruto dos eventos esportivos que o País receberá, o que observou-se foi que diversos elementos interligados fizeram esse mercado, em 2010, contribuir bastante para o crescimento da economia brasileira como um todo.
No mercado imobiliário cearense, as coisas não foram diferentes, e o segmento também se comportou, em geral, de forma positiva. O ano foi bom, inúmeros lançamentos, investimentos, e vendas disparadas. Os desafios também foram muitos, como no caso do Minha Casa Minha Vida (MCMV), onde o Estado não conseguiu ainda despontar. Além disso, a falta de infraestrutura urbana e a especulação, referente ao valor dos terrenos, também dificultaram o desenvolvimento.
E nesse cenário, chegado o fim de mais uma etapa, os agentes do mercado imobiliário cearense avaliaram o desempenho do segmento, destacando os ganhos, os obstáculos e também as perspectivas para área nos próximos períodos.
MERCADO DA CONSTRUÇÃO
Para a diretora comercial da Cameron Construtora, Valéria Câmara, o termo que melhor traduz o resultado do segmento em 2010 é “surpreendente”. De acordo com ela, a conjunção de fatores favoráveis ao mercado como a demanda contida por moradia, a redução dos juros e o alongamento dos prazos de financiamento serviram para aquecer a área.
Além disso, destacou Valéria, a Copa de 2014 mostrou a necessidade de construção de shoppings centers, hotéis, centros empresariais e até bairros inteiros no entorno de locais dos jogos. “Só temos motivos para festejar o ritmo apresentado pelo mercado em 2010”, ressaltou Valéria.
Adaptação ao dinamismo da celeridade dos processos construtivo foi e continuará sendo um dos maiores desafios para o ramo, na avaliação da diretora. “Para acompanhar esse crescimento, temos que adequar todas as ações para permitir que a organização não fique comprometida. Mais difícil do que crescer é garantir a ordem nesse ritmo”, explicou.
Para 2011, Valéria acredita que o mercado continue voltado para a classe média e baixa. Segundo ela, as condições favoráveis do crédito e o próprio déficit habitacional devem impulsionar as famílias com menor poder aquisitivo a adquirir a casa própria, sendo essa ação importante para que as empresas continuem investindo no segmento.
A predominância de imóveis compactos continuará sendo forte atrativo, segundo Valéria, já que esse tipo de imóvel agrada tanto ao público com menos recursos financeiros, como atende também às expectativas dos jovens casais em busca da primeira moradia.
RAMO IMOBILIÁRIO
Impulso e dinâmica foram os bônus do ramo esse ano, segundo o sócio-diretor da Viva Imóveis, Paulo Angelim. Para ele, os resultados alcançados foram incríveis. Em sua empresa, as vendas cresceram cerca de 73% se comparadas com o mesmo período do ano anterior. Sustentar os indicadores de crescimento e dar vazão aos imóveis comprados pelos investidores no segmento médio-alto padrão, são alguns dos desafios para área, na opinião do profissional. Qualificar mais e melhor os corretores é outro enfrentamento para a área, “haja vista a entrada de levas de novos corretores no mercado, sem qualquer experiência de vendas, muito menos de mercado imobiliário”, explicou. Angelim disse ainda que essa renovação ajuda a oxigenar o segmento, no entanto, requer um posicionamento firme das imobiliárias para manutenção da qualidade.
Continuar crescendo, mas não tão veloz, é a perspectiva de atuação do mercado para 2011, segundo Angelim. “Vamos passar por um período de ajuste de oferta e demanda”, completou.
IMÓVEIS USADOS
Para o engenheiro civil, professor universitário e vice-presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (CRECI), Roufman Ribeiro Rolim, 2010 foi o ano da “dança” das operações imobiliárias nos lançamentos de produtos do Governo. Classificando o Minha Casa Minha Vida, como um programa político-eleitoral, ele comentou, que o programa causou e irá causar a maior confusão a partir de 2011, com mais e mais regras “casuísticas” que tanto desgastam a satisfação dos consumidores.
De acordo com ele, ainda no final desse ano, por falta de espaço palpável para maiores ofertas desse produto (MCMV), a classe mais abastada entrou na “onda” dos produtos da segunda residência, pagando entre R$ 6 e 8 mil por m², favorecendo a “maquiavélica” especulação.
Roufman, comentou também que desde 2000 é possível perceber que o segmento de imóveis usados oferece melhores condições de compra, em relação aos lançamentos, no que se refere ao valor do m².
Ele explicou que as facilidades e flexibilidades temporais para aquisição de imóveis usados têm possibilitado um investimento com “uso” e “liquidez” mais eficazes do que os imóveis de “entrega futura”. Para o corretor, se todos os agentes do mercado imobiliário estiverem preparados e adaptados para essa nova e inédita modalidade de comportamento de compra e venda imobiliária, 2011 poderá ser o ano do imóvel usado.
INFRAESTRUTURA DA CIDADE
“Ninguém pode reclamar de absolutamente nada em 2010. Todos nós ganhamos dinheiro, fizemos bons negócios e a perspectiva para 2011 é que continue esse crescimento. Não com a mesma euforia até porque será bom se for um crescimento mais ordenado”. Crescimento mais “pé no chão”, eis a avaliação do tesoureiro do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), Armando Cavalcante.
Para ele, o ano foi positivo, no entanto, os problemas de falta de infraestrutura da cidade poderão comprometer a expansão do segmento. “Já está na hora da sociedade começar a cobrar do poder público mais infraestrutura. A cidade está carente em diversos aspectos. E para nós que fazemos o mercado imobiliário ter infraestrutura na cidade é fundamental”, acrescentou.
Cavalcante, ressaltou que é preciso pensar políticas de atuação para resolver os problemas de urbanismo. De acordo com ele, o poder público deve atuar a fim de evitar o que acontece, hoje, na Aldeota e Bairro de Fátima, por exemplo, com a saturação das infraestruturas viária. “Temos que observar também nos próximos períodos que a cidade está inchando com um crescimento de veículos acima da média nacional. Se não houver um interesse de minimizar esse caos no trânsito, criando alternativa, a cidade terá um infarto e isso compromete o mercado como um todo”, argumentou.
Fonte:
http://www.oestadoce.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário