domingo, 9 de janeiro de 2011

Análise do atual momento do mercado imobiliário dos EUA.

Entrevista publicada na revista Wimoveis

Túlio Siqueira, há 18 anos no mercado imobiliário brasileiro e há 17 anos no mercado norte-americano, proprietário da Atlas Empreendimentos Imobiliários Ltda, atuando no mercado de terceiros em Brasília-DF, associado à Elite International Realty em Miami, sócio da SB construções Ltda e ainda atuando como diretor de fiscalização do Creci-DF.

Qual a situação atual do mercado imobiliário dos Estados Unidos no momento?

Túlio Siqueira - Ainda está bem retraído, sem investidores, até mesmo compradores de moradias as quais são chamadas de "first home". Embora esteja havendo um incentivo para compra de imóveis por lá, o que acontece é que nem todo mundo tem crédito, ou seja, estão endividados e sem condições de assumirem financiamentos junto aos bancos.

Você acredita que o mercado imobiliário americano esteja protegido de novas crises?

Túlio Siqueira - Acredito que sim, pois os bancos não vão incorrer no mesmo erro. A crise se deu devido a imensa oferta de crédito dos bancos aos imóveis nas chamadas segundas ou terceiras hipotecas. E o que vem a ser isso? Você tinha um imóvel financiado e já teria pago uma parte dele, digamos 30 %, você ainda devia 70% dele só que uma segunda instituição financeira vinha e te dava outro crédito em cima dos seus 30% e ai você ficava com duas prestações e duas hipotecas, ou até 3. Conclusão, você pegava o crédito, gastava e ficava com uma dívida maior. Com essa ciranda temerária, o mercado imobiliário começou a ter uma valorização virtual, só que o devedor, o mutuário não conseguia pagar as prestações das hipotecas e consequentemente os bancos começaram a fazer a retomada dos imóveis, pois eles tinham a garantia deles. Só que esses imóveis pertenciam a 2 ou 3 bancos e que tinham que vender para reaver o capital emprestado. Mas, é óbvio, não havia tantos compradores para a quantidade de imóveis retomados. Estava criado o "mico" nas mãos dos bancos levando muitos deles a falência.

Como anda o comportamento dos preços dos imóveis atualmente? Ainda é decrescente?

Túlio Siqueira - Estão estabilizados. Alguns empreendedores tentam vender os novos empreendimentos a preços mais altos. Chegam até a garantir uma recompra, caso não haja uma valorização dos mesmos, para desencalhar o estoque que atualmente é muito alto. Pessoalmente acho que é uma aposta como em um cassino, pois, na minha opinião e de outros que entendem do mercado Americano, pela quantidade de ofertas não só dos empreendedores mas dos bancos que fizeram a retomada vai demorar uns bons 4 a 6 anos até que façam as vendas desses imóveis.

O sr. acha viável o brasileiro investir no mercado imobiliário norte-americano?

Túlio Siqueira - Com certeza a hora é essa, pois os imóveis estão com até 60% de desvalorização da última venda do imóvel e o dólar americano também está com uma cotação boa para esse tipo de investimento, e como falei é um investimento para 4 ou 5 anos, só que ele pode usar o imóvel para alugar enquanto aguarda a valorização do mesmo.

Como o investidor brasileiro pode investir no mercado de lá? Quais são os passos?

Túlio Siqueira - A grande dica que dou é comprar em Foreclosure Opportunities, que são leilões de bancos nos quais consegue-se comprar os imóveis com deságio de até 60%. Os passos a seguir são: contactar uma imobiliária de conceito e que ofereça esse tipo de negócio, pois muitas delas nem vão falar sobre isso, pois as comissões tem que ser cobradas dos compradores e muitas vezes eles não entendem que os bancos estão liquidando os imóveis e não pagam as comissões, aí elas não oferecem, pois não querem ter o trabalho de demonstrar para os compradores que eles apesar de terem que pagar as comissões ainda estão tendo uma grande vantagem. Outra dica é não comprar imóveis de amigos que dizem que estão vendendo por um bom preço, que o imóvel é excelente e outras coisas, pois não é verdade, eles estão empurrando o imóvel por um preço bem acima do que compraria num leilão desses. Se o comprador quiser um imóvel novo-lançamento, terá que pagar o preço do empreendedor, mas pode-se pechinchar muito para ter um bom desconto, pois eles estão "doidos" para vender o estoque. Mas tem que ter cuidados, pois podem vir embutidos muitos custos, e uma coisa que acontece é que às vezes os prédios novos não têm proprietários suficientes para bancar o condomínio, e aí fica muito caro. Tem que contratar uma imobiliária ou corretor de imóveis aqui no Brasil que tenha conhecimento de toda transação imobiliária e bancária para o envio de valores aos EUA legalmente para que não venham a ter dissabores no futuro.

http://www.wimoveis.com.br

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