No mercado de crédito, os bancos tomaram mais de um milhão de casas nos Estados Unidos no período de um ano, pela primeira vez, em 2010, mostrou uma pesquisa nesta quinta-feira. Os bancos executaram hipotecas de 69.847 propriedades em dezembro, encerrando o ano passado a 1,05 milhão e superando o recorde anterior de 918.000 casas em 2009, informou a empresa de dados imobiliários RealtyTrac. Em 2005, antes do colapso imobiliário, os bancos executaram apenas cerca de 100 mil hipotecas.
A crise também mostra sua face no mercado de câmbio. A China tende a mostrar ceticismo sobre a oferta norte-americana para liberar o comércio de bens de alta tecnologia e vai rejeitar qualquer barganha para acelerar a apreciação de sua moeda, disseram economistas e assessores do governo chinês nesta quinta-feira.
Secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner afirmou, na véspera, que Washington quer fazer progresso em dar à China maior acesso ao mercado de bens de alta tecnologia de seu país, contanto que a China ceda um pouco no controle de sua taxa de câmbio. Autoridades chinesas recusaram-se a comentar a proposta de Geithner, feita antes da visita do presidente chinês, Hu Jintao, aos Estados Unidos na próxima semana, mas uma série de assessores e analistas disseram que o país não deve concordar.
– A China nunca pensou na apreciação do yuan sob essa perspectiva. O yuan não vai subir na forma designada pelos Estados Unidos. A apreciação do yuan é uma tendência geral. Não é porque os Estados Unidos querem – disse Ding Yifan, vice-presidente do Instituto Mundial do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, um instituto do governo.
Washington pode, inclusive, ser muito lenta na abertura comercial, afirmou Tao Xie, especialista em relações EUA/China da Universidade de Estados Estrangeiros de Pequim.
Inflação
O índice de preços no setor atacadista (PPI, na sigla em inglês) apontou para uma inflação de 1,1% em dezembro, ante 0,8% em novembro e 0,4% em outubro, conforme o Departamento de Trabalho dos EUA. Trata-se da maior taxa desde janeiro de 2010. Economistas do setor financeiro projetavam um variação de 0,8% para o último mês do ano passado.
O chamado “núcleo” do indicador, que exclui do cálculo os preços de energia e alimentos (mais voláteis) apontou uma variação de 0,2% para dezembro, em linha com as expectativas. Segundo o Departamento do Trabalho, a inflação de dezembro foi puxada pelo forte aumento dos preços de matérias-primas (4%), enquanto bens semi-manufaturados ficaram 1% mais caros, em média. Bens manufaturados também tiveram um incremento significativo (3,7%).
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