quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Classe média puxa vendas de imóveis de dois e três quartos em São Paulo

Mais de 31 mil casas e apartamentos foram vendidos entre janeiro e novembro na cidade

Mais de 31 mil residências novas foram vendidas entre janeiro e novembro na cidade de São Paulo. Mais de 7 em cada 10 delas tinham dois ou três dormitórios e tamanhos variando entre 46 m² (metros quadrados) e 130 m². Isso mostra que a classe média foi a maior responsável pelo impulso do mercado imobiliário, segundo o Secovi-SP (sindicato da habitação).

O número de imóveis vendidos nos 11 meses de 2010 é bastante próximo ao registrado no mesmo período de 2009, quando foram vendidas 30 mil residências. Pelo balanço divulgado nesta quarta-feira (12), os apartamentos médios responderam por 78% de todas as vendas.

A chegada da classe média no mercado imobiliário vem atender a um mercado deixado de lado pelas construtoras durante muito tempo, como explica Celso Petrucci, economista-chefe do sindicato.

- Os imóveis de dois e três dormitórios em quase todas as regiões de São Paulo vendem com uma velocidade enorme. A velocidade está muito boa. Atualmente, o que for lançado [para esse público com renda entre três e dez salários, ou algo entre R$ 1.350 e R$ 4.650, com o mínimo de 2009] acaba em menos de seis meses por causa da alta procura.

Segundo João Crestana, presidente do sindicato, o mercado de imóveis populares foi o maior motor para as vendas.

- O mercado de imóveis populares respondeu positivamente o momento da boa economia do país. O Programa Minha Casa, Minha Vida deu oportunidade para que a classe média voltasse a consumir e comprar a casa própria.

O Secovi diz que, em 2010, foram vendidos mais imóveis do que o total lançado. O sindicato calcula esse número a partir da conta do VSO (Vendas Sobre Oferta), que é a relação entre o total de unidades vendidas sobre o volume em oferta.

Em novembro, o índice atingiu o patamar inédito de 22,7%. Isso significa que de tudo o que foi oferecido ao mercado, demorou menos de três meses para ser completamente vendido.

O sindicato diz que o total de lançamentos foi de 30 mil unidades até novembro do ano passado. Menos do que os 31 mil vendidos no mesmo período. Essa diferença vem de imóveis lançados nos anos anteriores que ainda não tinham sido negociados. E isso também reflete nos preços.

- Em 2010, tivemos mais vendas do que lançamentos, o que diminui o estoque de imóveis disponíveis. Essa é uma das principais causas do aumento dos preços. Uma hora vai estabilizar, mas no ano passado vimos um descolamento em relação à inflação.

Em 2009, os lançamentos somaram 32 mil em todo o ano, enquanto as vendas passaram de 35,8 mil - o que significa que em 2010, além de terem sido comercializadas todas as unidades lançadas, o setor ainda conseguiu queimar 3.000 unidades que ainda estavam desocupadas.

Casa mais longe

Considerando os 39 municípios da região metropolitana, incluindo a capital, foram vendidos 58 mil imóveis novos, enquanto os lançamentos somaram 57 mil.

Os números de 2010 ainda estão longe dos melhores anos de negócios para o setor, que foram 2007 e 2008. Há três anos, considerado pelo setor o melhor ano da história, foram vendidos 36,6 mil novos empreendimentos e lançadas 39 mil unidades na cidade de São Paulo. Em 2008, foram vendidos 32,8 mil unidades e lançados 34,5 mil.

Em todo o ano, a previsão é encerrar com 36 mil vendas e 34 mil lançamentos. Os dados de dezembro só sairão em fevereiro.

Petrucci diz que a falta de terrenos na capital também é um agravante para o mercado imobiliário. Além de frear um crescimento mais forte do número de lançamentos na cidade, aumenta o preço dos empreendimentos disponíveis e acaba empurrando a classe média cada vez mais para os municípios vizinhos.

- O número de empreendimentos acompanhou o crescimento da cidade, as linhas do metrô, mas esses imóveis são caros. Quando falamos do Minha Casa, Minha Vida, para oferecer imóveis de R$ 110 mil, tem que construir em Guarulhos, em Osasco, em Itapevi. O problema aparece quando a cidade não acompanha, e o trabalhador vai morar a uma hora do trabalho, a uma hora e meia da escola.

http://noticias.r7.com

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