No Estado que ainda possui um grande déficit habitacional, a oferta de imóveis na Região Metropolitana de Fortaleza favorece a redistribuição espacial das residências.
Desenvolvimento econômico estimulado, ampliação das atividades terciárias na região, maiores investimentos em infraestrutura, grande número de terrenos e loteamentos a disposição, são alguns dos fatores que no decorrer dos últimos períodos tem feito o mercado imobiliário cearense vislumbrar na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) boas oportunidades de investimento.
Entretanto, um dos maiores estímulos a esse novo mercado, é sem dúvida a demanda reprimida existente, no Ceará, por moradias. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado concentra um déficit habitacional de 307.058 residências. Na Capital, esse índice atinge cerca de 120.685 famílias.
Dessa forma, o boom imobiliário vivido pelo mercado nos últimos anos não deixou de fora as localidades próximas a Capital, que apresentam-se cada vez mais como alternativa para descentralização residencial. Dentre os 14 municípios englobados na RMF, destaque para: Caucaia, Aquiraz, Maranguape, Maracanaú e Eusébio.
Aliados a demanda por moradias, outros fatores também interferiram para que nos últimos anos essas regiões passassem a acolher famílias oriundas de diversos cantos do Estado e, sobretudo da Capital. Dentre eles, a escassez e o encarecimento dos terrenos em Fortaleza, a perspectiva de desenvolvimento desses outros municípios, a possibilidade de adquirir a primeira moradia com valores mais acessíveis e a maior disposição de crédito habitacional. Esses elementos deram as regiões à incorporação de atividades econômicas e imobiliárias, que por consequência favorecem a reorganização espacial de Fortaleza.
IMÓVEIS DIVERSOS
Segundo o corretor Cesar Rêgo, proprietário da imobiliária que leva seu nome, a RMF tem potencial para agregar diversos tipos de empreendimentos, sejam eles industriais, residenciais ou comerciais. O problema, destacou ele, é que esses terrenos estavam, até um tempo atrás, fora da área vislumbrada como ponto de construção, o que retirava da RMF o potencial efetivado hoje.
De acordo com ele, a prova disso que a capacidade de Maracanaú para a indústria enquanto outros bairros como Caucaia, têm admitido imóveis para moradia. Para Cesar, os investimentos do Governo Federal, no Minha Casa, Minha Vida, facilitaram bastante essa expansão, apesar de algumas dessas áreas já demonstrarem há algum tempo poder de ampliação.
No caso dos empreendimentos residenciais, ele destacou que há predominância dos apartamentos, que dispõe de térreo mais três andares. O público dessas novas moradias, como explicou Cesar, é composto em geral por trabalhadores com faixa de renda mensal que vai de três a sete mil reais.
Esse público, avaliou Cesar, têm aproveitado a facilidade do crédito imobiliário para adquirir a primeira moradia. “Observamos que são pessoas que moravam em situações relativamente precárias e agora tem oportunidade. Elas se deslocam de seus bairros de origem para lugares completamente diferentes, justamente para ter um imóvel próprio”, completou.
O QUE AINDA FALTA...
Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria e da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, a RMF tem conseguido agregar tanto a classes A e B, no caso do Eusébio, como as classes C e D, por exemplo, em Caucaia.
Entretanto para ele, essas áreas ainda são regiões carentes de alguns serviços, como a disposição de grandes supermercados, escolas, e em alguns casos transporte. Porém, segundo Montenegro, no decorrer do tempo, a própria demanda deve incrementar essa oferta, que por enquanto não é tão ampla. “Assim como o mercado imobiliário vislumbrou essa chance, outros mercados também vão se desenvolver nesses territórios com o passar do tempo e o aumento do público”, acrescentou.
E mesmo com certas deficiências no que diz respeito à infraestrutura e serviços, o vice-presidente explicou que os imóveis nessas regiões têm valorização de aproximadamente 70% se comparados aos de Fortaleza. O preço do metro quadrado nessas áreas, que configura a oportunidade de aquisição da primeira moradia, em geral, não ultrapassa o valor de R$ 2.500.
POPULAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA
DE FORTALEZA
De acordo com dados do Censo 2010, a população da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) em dez anos cresceu 18,3%%. Os números demonstram que a expansão populacional na RMF é maior que o crescimento da população do Estado, que foi cerca de 10%. Ao longo dos dez anos, a região como um todo cresceu, tendo a economia aquecida essas diversas atividades produtivas terciárias. Além do fluxo migratório para essa áreas tem sido acelerado nos últimos períodos.
IMÓVEIS DO MINHA CASA MINHA VIDA NA RMF
Até o final do ano passado onde foram assinados 58 contratos, do Minha Casa, Minha Vida, no Ceará, na faixa de renda de 0 a 3 salários mínimos, destaque para o desempenho da Região Metropolitana de Fortaleza. Do total de projetos apresentados até agora, a distribuição dos empreendimentos será da seguinte forma: 19 em Caucaia, sete em Maracanaú, quatro em Horizonte, três em Maranguape e um em Aquiraz.
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