segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mercado Imobiliário, um segmento em franca expansão

Os grandes eventos e pelos programas habitacionais do Governo Federal, o mercado de imóveis do Estado do Rio está bastante aquecido. Visando mostrar o atual cenário do setor, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RJ) aborda, nessa matéria especial, os principais números do segmento em 2010.

O presidente do Creci-RJ, Casimiro Vale, destacou os principais motivos do aquecimento do mercado imobiliário no Estado do Rio de Janeiro:

- A oferta de muitos imóveis novos, em sua maioria para a baixa renda, veio para atender as necessidades da população. Os financiamentos do governo também são importantes para que as pessoas tenham condições de adquirir o imóvel próprio.

De acordo com a Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi Rio), nos oito primeiros meses do ano houve um crescimento de 69,4% do número de imóveis novos vendidos, no comparativo com o mesmo período de 2009. Ainda de acordo com a entidade, até novembro de 2010, foram lançados 13.732 imóveis novos na cidade do Rio de Janeiro.

O plano habitacional Minha Casa, Minha Vida contribui para o crescimento do número de lançamentos no Rio de Janeiro. Regiões que não contavam com imóveis novos há muito tempo, como Irajá, Madureira, Cordovil e Campo Grande, passaram a ter. De acordo com a Caixa Econômica Federal, desde o lançamento do programa em março de 2009, foram negociadas 44.031 unidades e R$ 2,8 bilhões foram investidos em financiamentos. A projeção para 2011 é chegar a 80 mil unidades em todo o Estado.

Em relação aos imóveis usados, de acordo com levantamento realizado com entidades do setor, apenas no primeiro estimativa é de que existam mais de 1 milhão de imóveis usados disponíveis em todo o Estado do Rio.

No mercado de aluguéis, também houve um crescimento quando comparado com anos anteriores: "O mercado de locações este ano, principalmente no segundo e terceiro trimestres, está bem aquecido, tendo o valor dos alugueis aumentado substancialmente, em algumas regiões quase 50%, mas, na média, em torno de 25%", comenta o diretor de locação do Creci-RJ, Carlos Samuel.

Na cidade do Rio de Janeiro, um fator importante também colabora para o aquecimento do mercado imobiliário: as Unidades de Polícia Pacificadora. Com a implantação das UPPs, regiões como Tijuca, Botafogo e Copacabana registraram valorização de até 30% no preço dos imóveis. A consolidação dessas unidades gerou aumento na procura por imóveis nessas localidades em até 50%.

O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), Pedro Wàhmann, comentou

sobre o atual cenário de atrativos no Rio de Janeiro:

- Na Zona Sul do Rio, os preços estão mais elevados porque há muita demanda e pouca oferta. Mas em bairros como Copacabana, Tijuca e Flamengo é possível encontrar unidades com preços mais acessíveis, com um bom custo-benefício. A Zona Norte também tem se mostrado uma boa opção, principalmente no que diz respeito ao preço. Ainda existem muitas áreas para serem aproveitadas nessa região, ao contrário da Zona Sul. Não se pode deixar de citar a Zona Oeste, bairros como Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá. Nessa área, há hoje preços atrativos, com facilidade de financiamento.

Além da capital, outras regiões do Estado também apresentaram aquecimento no mercado imobiliário em 2010. São os casos das cidades de Itaboraí e São Gonçalo. Nos dois municípios, a chegada do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) propiciou a chegada de empresas e construtoras, trazendo novos investimentos para o município.

Num curto prazo, o município de Itaboraí contará com hotéis, shoppings, centros comerciais, além de um maior número de condomínios residenciais. De acordo com o delegado do Creci-RJ em Itaboraí, Adirlei Delgado, o Comperj movimentará ainda mais o mercado de imóveis da cidade:

- Nesse ano, houve um crescimento no mercado, devido à chegada de grandes empresas. Registra-se um aumento nas vendas e nas locações de imóveis entre 30% e 40% em 2010, no comparativo com o ano anterior. A procura por imóveis também está aquecida. A expectativa é de que o mercado imobiliário cresça ainda mais em 2011.

Em São Gonçalo, o crescimento do número de empresas na região fez com que novos imóveis fossem construídos na cidade: "Quase não havia imóveis novos em São Gonçalo. Registramos um aumento significativo no número de lançamentos. Devido a esse cenário positivo, a rocura por imóveis na cidade está em torno de 50% maior do que no ano passado", comentou a delegada do Creci-RJ em São Gonçalo, Elaine Teles.

A exploração do petróleo tem alavancado o setor imobiliário em alguns municípios, principalmente em Rio das Ostras e Macaé. De acordo com o delegado do Creci-RJ em Rio das Ostras, Marcelo Teles, a cidade apresenta um mercado imobiliário aquecido. A valorização dos preços está, em média, entre 10% e 15%. A expectativa é de que esse percentual permaneça nos próximos anos, principalmente, devido às perspectivas do pré-sal. O plano Minha Casa, Minha Vida tem impulsionado o mercado de lançamentos no município.

O delegado do Conselho em Macaé, Aleison Araújo, destaca os motivos do aquecimento imobiliário na região:

- A cidade está gerando empregos, no que se refere ao petróleo, e também existe atualmente uma facilidade de financiamentos. Com isso, as pessoas estão migrando do aluguel para casa própria. Em Macaé, o mercado está 30% mais aquecido do que no ano passado.

Número de corretores no Estado apresenta forte crescimento

o boom do mercado imobiliário, o Creci-RJ registrou um expressivo aumento na procura pela profissão de corretor de imóveis. Em 2010, 3.307 corretores de imóveis ingressaram na entidade, representando um aumento de 6,78% se comparado com o ano passado, quando houve 3.097 inscrições no Conselho. Se comparado com o ano de 2005 (325 inscrições), a diferença é de 917,53%. Hoje, o Creci-RJ conta com cerca de 48 mil profissionais inscritos.

Nesse cenário de aquecimento da profissão, se destacam os corretores de imóveis de até 25 anos. No ano de 2010, 625 corretores de imóveis dessa faixa etária receberam a carteira profissional, 2.214,81% a mais que no ano de 2005, quando 27 profissionais de até 25 anos ingressaram na corretagem de imóveis. Se em anos anteriores era comum a opção pela profissão de corretor de imóveis como segunda opção de carreira, atualmente é cada vez maior a escolha pela corretagem de imóveis como primeira opção.

Para Casimiro Vale, o mercado imobiliário aquecido impulsiona o crescimento da profissão, inclusive a participação de corretores mais jovens. Houve um aumento no número de jovens que ingressaram na profissão como opção de carreira", ressaltou .Fábio Simas, de 21 anos, ingressou na profissão este ano e serve de exemplo nesse novo cenário da categoria. O corretor explica o interesse pela profissão: "Meu pai é empresário do ramo imobiliário e tenho interesse em dar continuidade aos negócios da família. A profissão de corretor de imóveis é ótima. Se souber trabalhar, você será bem sucedido", comentou.

Larisse Brito, de 21 anos, ingressou na profissão através do apoio de um amigo: "Foi através da indicação de um amigo da família que ingressei na profissão. O aquecimento do mercado também colaborou para que eu entrasse na corretagem de imóveis", destacou a jovem corretora de imóveis.

Com a realização da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016, a expectativa é que o mercado imobiliário no Estado fique ainda mais aquecido, com contínuo aumento no número de corretores de imóveis no Estado.

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