segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Portugal – Perspectivas para o mercado imobiliário em 2011

O mercado imobiliário português, ao contrário de outros - como por exemplo o espanhol ou o americano - não atravessa uma crise ao mesmo nível, nem sofre os efeitos de uma “bolha imobiliária”, antes está limitado pela escassez de financiamento e por critérios de concessão de crédito mais apertados por parte das instituições bancárias.

Por outro lado, em 2010, o mercado assistiu a uma diminuição da procura de casa para compra e um significativo incremento da procura de casa para arrendamento. Aliás, tendência que já se verificou em 2009 e que continuará seguramente em 2011.

Fitamétrica. Curiosamente, a Rede Fitamétrica, tem garantido aos seus franqueados níveis de captação de novos clientes muito significativos. Diferença positiva e que se deve a um pacote de comunicação e divulgação da marca, tal como a uma estratégia que optou por manter ou incrementar os patamares de investimento em publicidade de anos anteriores, assim como, também é justo dizê-lo, graças à qualidade dos serviços prestados pelas nossas Lojas Franqueadas, pelo que o número de novos clientes se manteve estável e regular, se comparado o biénio 2009-2010.

Em 2011 os desafios serão maiores, muito mais exigentes e complexos.

Clientes. Para a maioria das mediadoras tradicionais será um ano decisivo, principalmente pela dificuldade que estas terão em comunicar e captar clientes compradores, dada a fraca capacidade que estas micro-empresas têm para investir em comunicação e publicidade.

Redes. As redes imobiliárias, apesar de lhes serem reconhecidos maior profissionalismo por parte dos seus clientes e do mercado em geral, acrescido da sua estrutura e das sinergias e economias de escala que geram, também terão, forçosamente, que se reinventar.

Concentração de Mercado. Seguramente, em 2011, continuaremos a assistir a uma concentração diminuição dos operadores imobiliários a operar em Portugal e também das Redes Imobiliárias – estas não estão imunes, basta olhar para os nossos vizinhos do lado, em Espanha.

Esta conjectura do mercado imobiliário apenas será ultrapassada com a revitalização da economia e não depende unicamente dos seus players.

Empreendedorismo. O país necessita de mais empreendedorismo, mais investimento privado, maior vontade dos nossos políticos em fazer mais com menos recursos. O mercado imobiliário, pilar fundamental da nossa economia nos últimos 35 anos, necessita de uma reforma legislativa absoluta e adequada ao mercado e à realidade actual, com leis que promovam o investimento, a reabilitação e a criação de emprego.

Fiscalização. Necessita também de um organismo de controlo verdadeiramente operante, não apenas licenciador e fiscalizador dos palyers existentes, mas antes fiscalizador da economia paralela (que é significativa) e dos agentes ilegais (que também são muitos) que operam no mercado e de um verdadeiro associativismo que não funcione por lobbies e interesses instalados de meia dúzia de “velhos do Restelo”, mas antes pelo real interesse do mercado e dos seus players.

Gostaria de dizer que perspectivo um ano de 2011 fantástico, com a economia a ser revitalizada pelo investimento. Mas não posso! Seria uma utopia.

Impostos. Tal só seria possível se fossem tomadas, entre outras, as seguintes medidas urgentes: a alteração da legislação tributária sobre o património Imobiliário, com a extinção de impostos como o IMT e o Imposto de Selo, já (inconsequentemente) apelidados como "estúpidos" por parte de vários governos e governantes.

A aplicação do regime normal de IVA sobre a construção e promoção imobiliária e a coragem legislativa na revisão da politica de terra e, principalmente, na verdadeira reformulação do Regime de Arrendamento Urbano.

Angariadores Imobiliários. Finalmente, a alteração ao Decreto-Lei 211/2004 que, embora com virtudes que trouxeram alguma requalificação ao sector, é altamente discriminatório para com os candidatos a Angariadores Imobiliários, no que diz respeito ao acesso a esta profissão, dado que - por exemplo - limita a contratação e a inscrição de pessoas que tenham dividas ao Fisco e à Segurança Social, não permitindo assim promover o emprego e a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, requisitos ou limitações que muito discutivelmente não encontramos noutras carreiras profissionais.

Portanto, 2011, será um ano marcante, em linha com os dois anteriores, cheio de obstáculos mas também de desafios. Desafio que convido todos a enfrentar e vencer.

Paulo Fernandes
Rede Fitamétrica

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