Momento favorável da economia e demanda maior do que a oferta proporcionam aumento nos preços de aluguel. Empresários do setor afirmam que faltam imóveis para locação na Capital
Alugar um imóvel tem sido tarefa árdua em Fortaleza. Empresários do setor de locação afirmam que faltam casas e apartamentos. O levantamento do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) registra que foram lançadas 2.209 novas unidades habitacionais até setembro na Capital (em todo o ano de 2009 foram 1.926), mas todas vendidas para pessoas que querem uma casa própria, segundo empresários do setor. O aumento e as facilidades de financiamento de imóveis fez com que as construtoras deixassem de vender para investidores e comercializassem diretamente com consumidor final.
“O mercado de aluguel está aquecido porque a oferta está pequena”, explica o presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi), Sérgio Porto. Para ele, existem mais pessoas procurando imóveis para alugar e o mercado não consegue dar conta. É a chamada demanda de aluguel não suprimida. E isso ocorre por causa da alta da venda de imóveis novos: “nos últimos cinco anos a maioria das vendas foi para o consumidor final com a baixa no valor das prestações de financiamentos, e não mais para investidores”, ressalta.
O que Porto conta foi vivenciado pelo fotógrafo Francisco Sampaio. Para encontrar o apartamento foram três meses de procura. “Ou não tinha um imóvel adequado no bairro que escolhi ou quando encontrava algum era caro e a estrutura estava danificada.
O Índice Geral de Preços (IGP-M), que reajusta o aluguel, está acumulado em 5,847% em 2010 e 5,792% nos últimos 12 meses. No entanto, os aluguéis em Fortaleza apresentam uma alta ainda maior, segundo os empresários por causa do aumento das vendas para consumidores finais. Para o diretor da FZ Imóveis, Freitas Cordeiro, “todo o mercado imobiliário está aquecido”. “Aluguel sempre vai ser caro. Não é que tenha aumentado os preços, Fortaleza está inchando”.
Freitas reclama ainda, além de Fortaleza “estar carente de imóveis de melhor padrão”, do rendimento do aluguel: “antigamente, a relação de renda de aluguel era de 1,25% (do valr venal do imóvel) para os proprietários dos imóveis alugados. Hoje é 0,75%, com alguns de 0,5%”. Essa redução no rendimento começa a afastar investidores que compravam imóveis para alugar e ajuda a provocar a falta de opção em Fortaleza.
Antes, a dificuldade de alugar um imóvel era muito mais burocrática, como fiador, por exemplo. O que não é o caso do assistente comercial Cristiano Freire. Ele também não encontra opção no mercado. “Procuro há mais de três meses um apartamento na região entre o Centro e o Montese, mas quando dá no meu orçamento, não tem as características que eu preciso”, lamenta.
PALAVRA
O que considerar no valor do aluguel
LOCALIZAÇÃO. Proximidade dos serviços – hospitais, instituições de ensino, farmácias, supermercados e opções de lazer.
CONDIÇÕES. Tempo da construção e estado de conservação.
CONDOMÍNIO. Qualidade da administração. O valor do condomínio pode inviabilizar uma locação.
O que considerar para investir em imóveis:
LOCALIZAÇÃO. A rentabilidade não está no tipo de imóvel, mas na localização. Porém, os comerciais tendem a dar maior retorno nos preços de aluguel.
REGIÕES. As mais valorizadas são, respectivamente, Beira Mar, Meireles, Cocó, Aldeota, Bairro de Fátima e Água Fria. Messejana e Maracanaú são as regiões distantes do Centro que mais crescem por abundância de serviços e atração crescente de empresas. Castelão e arredores devem passar por boom imobiliário devido à Copa de 2014, oferta de terrenos e pouca densidade habitacional.
MÍNIMO. O patamar mínimo para a rentabilidade do imóvel, segundo empresários do setor, é de 0,5% do valor venal do imóvel, podendo ultrapassar 1%.
Jornal Opovo
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