Evento ajuda, mas "boom" imobiliário é característica de Cuiabá há 15 anos, diz presidente do Creci
Área no entorno da Arena Pantanal: construção do estádio valoriza imóveis; alguns já estão à venda
A construção da Arena Pantanal, no lugar do antigo estádio do Verdão, no bairro do mesmo nome, em Cuiabá, já vem trazendo reflexos no ramo imobiliário. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (Crec -MT), Ruy Pinheiro de Araújo, a expectativa é de que áreas "nuas", ou seja, aquelas ainda não edificadas, cheguem a uma valorização de até 100%, na região próxima ao estádio.
Além destas, mesmo imóveis do entorno da nova Arena, residenciais ou comerciais, podem alcançar uma valorização de 35% a 40% no preço atual do metro quadrado.
De acordo com estudo realizado pelo Creci, sobre a Planta Genérica da Capital para 2011, a Avenida Agrícola Paes de Barros, que dá acesso ao Verdão e está inserida entre as principais vias de Cuiabá, apresenta três variações no metro quadrado.
A primeira, entre a Avenida Miguel Sutil e o final da Paes de Barros, no valor de R$ 45. O segundo trecho, entre a Rua Barão de Melgaço e Avenida São Sebastião, a R$ 270 o metro quadrado. E, por último, o trecho que está entre a Avenida São Sebastião e Avenida Miguel Sutil, por R$ 450 o metro quadrado.
Para o presidente do Creci, é possível que haja um aumento, nos próximos anos, nos trechos dois e três, de até 70%, que podem ser considerados, em parte, devido à Copa, mas não em sua totalidade.
"O padrão que Cuiabá vem apresentando nos últimos 15 anos, de crescer 10% ao ano, é único no país. Isso reflete na planta genérica: a de R$ 270, por exemplo, pode chegar a R$ 500 na região do Verdão. Lógico que a Copa vem como um boom [explosão], mas todo cuidado é pouco e a valorização imobiliária não acontece da noite para o dia", disse.
Valorização superestimada
Apesar da valorização que a Copa do Mundo de 2014 deverá trazer para essa região, o presidente do Creci alertou para uma "superestimação" destes valores.
"Alguém que tinha um apartamento de R$ 100 mil, antes da Copa, não vai vender por R$ 200 mil, por exemplo. Isso não existe. Quem regula a valoração de mercado é a oferta e procura. Se quem tem está subindo muito, quem poderia comprar, não compra", avaliou Ruy Araújo.
Segundo Araújo, de forma geral, regiões de Cuiabá que ofereçam o mínimo de infraestrutura não passarão de uma valorização de 40%.
"Se você está próximo das coisas que precisa, vai pagar por isso. As áreas se valorizam em torno das necessidades das pessoas e do conforto que elas buscam. Isso é valorização de mercado, mas não da forma especulativa que aparece algumas vezes", disse.
Outro lado preocupante, para Araújo, é a forma como estão sendo conduzidos a valorização e os empreendimentos imobiliários, que poderão refletir, em um futuro não muito distante, em uma "bolha imobiliária".
A bolha, ou seja, uma supervalorização crescente e disparatada, seria o motivo de os imóveis serem comercializados a preços maiores do que, supostamente, deveriam ser.
"O mundo tem dado exemplo, Japão e Estados Unidos são exemplos. Daqui a pouco, ninguém aguenta pagar prestação de casa ou cessam projetos do Governo Federal, como o "Minha Casa, Minha Vida". E se o desemprego voltar? E se não tiver um controle inflacionário? É preciso avaliar todos os riscos", completou.
www.midianews.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário