O aumento dos spread's, as exigências impostas na concessão de créditos habitação, entre outros factores, estão a prejudicar os negócios das imobiliárias.
"Não são raros os casos em que depois de pensarmos que o negócio tem tudo para se concretizara resposta do banco, ao pedido de crédito, é negativa". Quem o diz é um agente imobiliário da ilha de S. Miguel. Com efeito, a procura por imóveis novos, ou usados, continua na maior ilha açoriana, apesar de alguma retracção face à crise. O pior mesmo, diz quem trabalha no sector, "é quando chega à hora de ir ao banco. As exigências são cada vez maiores, o montante a conceder é cada vez mais reduzido, os pedidos de fiança são constantes. Enfim, as dificuldades são cada vez maiores".
Face a isto, as imobiliárias atravessam enormes dificuldades, já que, invariavelmente, não conseguem concretizar negócios.
No geral, os bancos estão a impor condições cada vez mais exigentes às famílias que pretendam contrair um crédito à habitação. De tal maneira que, para a maioria, se torna impossível comprar casa.
O último inquérito aos bancos feito pelo Banco de Portugal revela que a maior restrição no crédito à habitação se traduz sobretudo em spreads mais altos e que algumas instituições financeiras chegam a cobrar taxas na casa dos 5% aos clientes de risco mais elevado. No entanto, estas condições começam-se, também, a alastrar aos clientes com um perfil de risco médio.
Recentemente, soube-se que, desde o início do ano, cinco bancos já aumentaram os spreads e que sete já cobram valores acima dos 4%.
Mas, como ainda existem clientes com perfil de risco baixo (para quem o spread médio é 1,24%), a média dos spreads cobrados pelos bancos aos clientes é de 1,6%. Muito abaixo dos máximos, mas também muito acima dos valores a que assistíamos há uns anos, de 0,3 e 0,4%.
Os responsáveis pelo Banco de Portugal dizem ainda que também as comissões e outros encargos associados ao crédito estão mais caros, que as instituições estão mais selectivas na hora de aceitar garantias, emprestam percentagens mais baixas do valor das casas e por prazos mais apertados.
O problema é que os bancos já estão a avaliar as casas abaixo do valor da compra e só emprestam 80 a 90% do valor da avaliação. Contas feitas, o banco acaba por só emprestar 60% do valor que a família paga pela casa. Isso significa que o cliente, se quiser comprá-la, tem de ter disponível, para dar de entrada, cerca de 40% do valor do imóvel, algo que é muito difícil de cumprir para muitas famílias.
Refira-se ainda que o cliente visto como ideal pelas instituições financeiras deve apresentar um rácio de financiamento inferior a 60% (a família suporta os outros 40% do valor do imóvel), uma taxa de esforço que não vai além de 35% (ou seja, a prestação só consome 35% do rendimento mensal disponível), vários produtos associados ao contrato de crédito (em alguns bancos é preciso subscrever até sete produtos, entre domiciliação de rendimento e despesas, cartões de crédito, seguros e aplicações de poupança para baixar o spread) e montante de financiamento elevado.
Face a isto, os agentes imobiliários dizem que é difícil andar no mercado da compra e venda de imóveis. "Com condições tão exigentes, e num momento em que a maior parte das famílias passa por inúmeros problemas financeiros, como é que se conseguem vender casas", perguntam. Apesar disto, sublinha um dos vendedores, "ainda se vão concretizando alguns negócios. Os jovens casais precisam de casa e há ainda quem procure melhorar a sua actual situação. Não é fácil, mas lá se vai vendendo".
Imóveis em saldo
Conforme acontece todos os anos, a Remax está a realizar, até ao próximo dia 28 de Fevereiro o seu habitual "saldo de imóveis". São casas e apartamentos em todo o País, incluindo os Açores, que são comercializados a valores inferiores aos de mercado. Os preços de saldo aplicam-se a todos os contratos Promessa de Compra e Venda realizados até à data em que termina a campanha. Os imóveis em saldo podem ser consultados nas agências RE/MAX em todo o País, ou no site da empresa. Os descontos são variáveis, sendo analisados caso a caso.
http://www.expressodasnove.pt
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