quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

FT faz alerta sobre 'farra de crédito' no Brasil e risco de crise

Artigo publicado na edição desta terça-feira no Financial Times afirma que o Brasil está a caminho de uma "crise subprime", dado o aquecimento do mercado de crédito ao consumidor. Aassinado pelo diretor da corretora de fundos de hedge Marshall Wace, Paul Marshall, o artigo faz um paralelo entre a atual situação econômica do Brasil e a economia americana às vésperas da crise em seu setor de crédito imobiliário, que deu início à crise mundial em 2008.
O especialista destaca que o Brasil tem vivido uma "farra do crédito", ao assinalar que os empréstimos cresceram 2,4 vezes mais que o PIB nos últimos cinco anos, taxa muito acima de outros emergentes, como Rússia (de duas vezes); de 1,6 na Índia; e de 1,2 na China. Ele frisa que isto em si não é um grande problema, porque o país parte de um patamar baixo. Enquanto nos Estados Unidos a concessão de empréstimo equivale a 165% do PIB, no Brasil situa-se na faixa de 46% do PIB. "O problema é o fardo que esta dívida impõe sobre os consumidores", argumenta Marshall. Com uma taxa de juros alta, o consumidor brasileiro paga, em termos reais, taxas de cerca de 20% a 25%, ele cita. "Tomar empréstimos no Brasil tem custos punitivos", afirma ele, acrescentando que o pagamento das dívidas consomem 24% da renda do consumidor brasileiro, enquanto nos EUA o nível era 14% quando a crise subprime estourou. "A situação no Brasil é preocupantemente similar à da crise subprime dos Estados Unidos. Os bancos estão empurrando muito crédito a altas taxas para consumidores que, no fim, não serão capazes de honrar a dívida", escreve o analista.[3]
Paul Marshall, vê o episódio do Panamericano como um alerta de uma possível crise no setor de crédito do Brasil. O analista afirma que, em termos legislação, o País ainda precisa de mecanismos eficientes de controle de crédito, e os bancos ainda operam a altos custos. Paul Marshall conclui dizendo que, embora tenha sido recompensado pelo mercado por suas políticas recentes, o país precisará de mais gerenciamento "habilidoso" para "desinflar a atual bolha de crédito sem perder o controle.

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