Com o aumento da frota de veículos e a escassez de vagas, estacionar está mais pesado para o bolso: um supermercado chega a cobrar R$ 35 pela primeira hora
Está cada vez mais caro para o motorista estacionar o automóvel na capital paulista. A expansão da frota de veículos, que ultrapassa os 6,8 milhões, e o aquecimento do mercado imobiliário, que interfere nos valores do aluguel e do IPTU, são alguns dos principais motivos para o aumento da tarifa cobrada por estacionamentos. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi registrada uma alta de 10,65% no ano passado, para uma inflação de 5,91%.
Segundo o Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo (Sindepark), as garagens mais caras da cidade são as da Avenida Paulista e as dos Jardins, com a primeira hora a R$ 14, seguidas pelas da Faria Lima, Itaim Bibi e Vila Olímpia, onde se cobram R$ 12, em média, pelo mesmo período. O valor é calculado em função dos custos fixos do estacionamento, como aluguel, impostos, pagamento de seguro obrigatório, manutenção e mão de obra. A lógica do mercado também determina a tarifa final. “A conta é simples: quanto maior a procura e menor a oferta, mais caros serão os estacionamentos”, diz Sergio Morad, presidente do Sindepark.
Em alguns estabelecimentos, a disputada vaga pode custar mais que a própria compra. Se você for de carro até a Casa Santa Luzia, nos Jardins, e comprar uma lata de sardinhas e um pacote de macarrão – que não superam os R$ 20 –, desembolsará R$ 35 só pela primeira hora de estacionamento. As adicionais valem, cada uma, R$ 25. Para fugir da cobrança da hora inicial, é necessário gastar R$ 50. Uma compra superior a R$ 150 dá direito a duas horas livres. Esses preços se justificam, segundo Jorge Filho, gerente do supermercado, por fatores como “sistema automatizado de controle de acesso, circuito fechado de TV com filmagem e gravação de imagens e mão de obra treinada e especializada”.
A principal razão para a cobrança desse valor é mais prática: evitar que a garagem, com apenas 187 vagas, seja usada por quem não faz compras no Santa Luzia ou por clientes que aproveitam para passear pelo bairro a pé. Para eles, é melhor parar num estacionamento a menos de 200 metros do mercado, que tem os mesmos serviços e cobra R$ 15 pela primeira hora.
Nem sempre a escassez de vagas define o preço. Os valores cobrados num estacionamento podem variar conforme os dias da semana ou a época do ano. Na região da Rua 25 de Março, a manhã de sábado é o período mais caro. O mesmo estabelecimento que, durante a semana, cobra R$ 12 pela primeira hora e R$ 8 pelas demais muda a tabela para R$ 40 e R$ 10, respectivamente, para “carros grandes”. Outra razão para o aumento na área é a localização: quanto mais próxima do Shopping 25 de Março, mais cara a vaga. No estacionamento mais distante, a tarifa é de R$ 7 na primeira hora e de R$ 5 nas seguintes.
De acordo com o Sindepark, há mais de 9 mil estacionamentos, ou quase 1 milhão de vagas, na cidade, quantidade insuficiente para atender à demanda da frota de veículos. Caso ela continue aumentando, é muito provável que os altos preços cobrados hoje em áreas valorizadas se estendam para o resto de São Paulo.
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