O empresário cearense Jorge Alberto Studart Gomes, o Beto Studart, é proprietário da BSPar Incorporações, e na semana passada fechou uma parceria com a Delphi Engenharia. Dessa forma, após uma negociação que durou 90 dias, foi criada a empresa BSPar Delphi gestora imobiliária, que promete erguer 20 empreendimentos na capital potiguar ao longo dos próximos dois anos. Nessa entrevista, Studart conta os motivos que o atraíram ao mercado natalense, fala sobre o programa habitacional Minha Casa Minha Vida e revela ver em Natal uma realidade de intenso desenvolvimento para a construção civil.
Como foi iniciada a conversa entre a BSPar e a Delphi?
Houve, inicialmente, um interesse recíproco das empresas. Eu conheço o pai da Cintia (Delfino – diretora da Delphi) há muito tempo, que é o Raimundo Delfino, o admiro muito como empresário, e soube do trabalho, da seriedade e do profissionalismo da Delphi, no mercado de Natal. Em Fortaleza, estamos desenvolvendo, além das atividades financeiras, na atividade da construção e da incorporação, um movimento muito forte. Assim, resolvemos passar a atuar em Natal e, casualmente, eu e Cintia nos encontramos em Fortaleza, começamos a conversar e depois de alguns novos encontros, terminamos por acertar a parceria.
Quanto tempo durou essa negociação?
Foram 90 dias. Esse processo teve início em 2010 e culminou durante a semana passada. Agora, com toda a documentação assinada, nós somos parceiros.
O que atraiu o senhor, no mercado do Rio Grande do Norte?
Natal está passando por um período pujante para a construção civil. O que mais me atraiu foi o histórico da Delphi, com aquilo que já foi realizado e de que forma foi realizado, o respeito que empresa tem pelo mercado e que o mercado tem pela empresa. Eu tenho a pesquisa de todos os empreendimentos da Delphi, mas antes de recebê-las, já prevalecia a confiança que eu tenho na direção da empresa. Esta foi a razão motivadora para eu entrar no mercado de Natal. Eu sempre digo que, embora sejamos parceiros meio a meio, a Cintia (Delfino) será a nossa presidente em Natal, pois ela que tocará as obras na capital potiguar, em conjunto com os diretores de Fortaleza, que se for necessário estarão com ela, decidindo sobre as mais diversas áreas.
De que forma o senhor acompanhará os 20 empreendimentos previstos para serem erguidos pela empresa em Natal?
Nós montamos uma gestora em Natal e os nossos diretores de Fortaleza irão se revezar. O diretor de suprimentos se reunirá com a Cintia Delfino, depois será o diretor técnico de engenharia, o de suprimentos e outros profissionais ligados às áreas de atuação que se fizerem necessárias. Dessa forma, a diretora da Delphi estará sempre cercada de pessoas da minha mais alta confiança e, tenho certeza, hoje também da mais alta confiança dela. Também poderemos conversar via videoconferência. É assim que iremos interagir, compartilhando as ações nessa caminhada.
Este é o seu primeiro investimento no Rio Grande do Norte?
É o nosso primeiro investimento no estado, sim. Já temos planos de realizar novos, pois a nossa vontade é de não parar nunca, até que o mercado nos dia “não”. Mas enquanto o mercado estiver promissor, crescendo É isso que vemos hoje em Natal, por causa da renda da população que é bastante estável, também pelo sistema bancário, que hoje entrou no mérito dos financiamentos da cada própria e não apenas para a população de baixa renda. Assim, tenho a impressão de que vamos continuar por bastante tempo. O nosso negócio é para valer.
Como o senhor avalia o programa habitacional Minha Casa Minha Vida?
O programa ajudou muito o setor da construção civil a crescer. O déficit habitacional brasileiro é em torno de oito milhões de residências e esse é um programa político social, que não tem fim. O Minha Casa Minha Vida atua em uma questão de dignidade da sociedade e não pode mais parar. Todo mundo tem o direito à casa própria e o governo foi muito inteligente em criar esse programa, pois ele dará acesso à casa para milhões de pessoas no nosso país, além de estar contribuindo para o desenvolvimento da nossa economia e do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Na quarta-feira passada, o teto para os financiamentos foi aumentado. O senhor acredita que essa medida ajudará o setor?
No nosso negócio, provavelmente não. Mas ajudará a construção civil como um todo.
O 20 empreendimentos previstos pela parceria da BSPar com a Delphi serão voltados para qual público?
Para o público de média e alta rendas. Serão todos em Natal. A nossa expectativa para o período entre 2011 e 2012 é de lançar aproximadamente 1,5 mil unidades habitacionais.
Quantos empregos a empresa irá gerar na capital do RN?
Acho que iremos contribuir para a manutenção. Não quero nem dizer na geração de novos empregos, porque a Delphi já vem, de forma importante, participando deste processo. Então, essa nova empresa irá ajudar a aumentar a quantidade de empregos, sim, porque agora dará uma maior velocidade aos empreendimentos. Eu não sei qual será o volume do aumento, mas isso irá acontecer e também haverá uma maior estabilidade aos empregos em questão. A mão de obra na construção civil está começando a ficar escassa. Às vezes a gente tem 100 pedreiros, precisa de mais 100 e tem uma certa dificuldade em contratar. Dessa forma, temos que lançar agora os empreendimentos de acordo, inclusive, com essa disponibilidade da mão de obra. E uma das limitantes que poderemos encontrar é exatamente essa capacidade de gerar empregos e qualificar os trabalhadores. Em Fortaleza, por intermédio da BSPar, estamos criando um centro de formação profissional.
Como será a atuação do centro profissional da BSPar?
Queremos profissionalizar as pessoas, tentar melhorar o nível de todos. Será uma forma de dar para os funcionários mais conhecimento, e ao mesmo tempo, de fidelizar. No Ceará, estamos começando essa ação, como iniciativa própria.
Votando à negociação entre a BSPar e a Delphi, há uma parceria ou uma sociedade?
Nós criamos uma nova empresa, chamada BSPar Delphi gestora imobiliária. A participação é de meio a meio. A empresa traz para o seu bojo 20 novos empreendimentos. Isso dará para a Delphi, a possibilidade de imprimir velocidade e encerrar todas as suas obras antigas.
Quais foram os valores envolvidos nessa negociação?
Eu não queria falar em valor. Mas o valor envolvido de VGV (Valor Geral de Vendas) é de R$ 600 milhões. O VGV de obras, que nós vamos fazer em 2011 e 2012. Esse é o valor que posso te passar. O valor da negociação em si, não. Acho que isso é um pouco mais nosso.
Falando do mercado imobiliário como um todo, o senhor acredita que a insegurança jurídica é uma questão superada ou ainda há muita preocupação do setor em relação a isso?
Eu acho que a sociedade, não apenas de Natal, mas do Brasil todo, precisa saber comprar. Ela precisa comprar das empresas que têm um bom histórico patrimonial. Não é somente o histórico de construção já realizada, mas a sua condição econômica atual. Hoje, a sociedade compra com base na confiança na incorporadora. Então, é preciso que antes da compra, se conheça quem é a incorporadora, quem são seus sócios, qual é o caráter dos seus sócios, qual é a sua condição econômica, se a empresa é forte e se tem lastro para poder dar continuidade. Isso é o que dá tranquilidade e segurança a todos.
A insegurança jurídica é uma realidade no Ceará?
Hoje, todo lançamento está sustentado por uma sociedade de propósito específico (SPE). É só as pessoas terem o cuidado de entrar na SPE, lerem os instrumentos contratuais cuidadosamente, para poder ter segurança. Na nossa gestão, por exemplo, cada SPE, cada edifício, cada lançamento, terá a sua administração financeira. Dessa forma, não vai haver possibilidade de contaminação de qualquer natureza passiva. Então, todo recurso que está no caixa daquela empresa é intrafegável entre as empresas. A maior segurança que podemos dar à sociedade do Rio Grande do Norte e de Natal é justamente a incomunicabilidade dos ativos das nossas SPE.
Para que os potiguares conheçam um pouco sobre a BSPar, o senhor pode dizer desde quando ela está no mercado e qual a área de atuação?
Eu já tenho muitos anos de empresário. Sou oriundo da química agrícola, tinha uma fábrica de defensivos agrícolas, que operava no Brasil todo e tornou-se a maior indústria de agroquímicos nacional, a Agripec. Em 2007, vendi essa fábrica para um grupo australiano. E, como em 2005, eu já tinha iniciado alguns movimentos na área imobiliária, me voltei para o setor de imóveis e estou achando muito bom, estou muito feliz. O nosso nome é extremamente respeitado em Fortaleza e acho que é o grande patrimônio que eu, como pessoa física e jurídica, tenho. A sociedade toda acredita em tudo o que nós fazemos, na solidez do nosso grupo. Somos um grupo antigo como pessoa e é isso o que nós fazemos. Temos hoje, em Fortaleza, um volume de obras a ser lançado nos próximos dois anos, superior a R$ 1,5 bilhão. É muita coisa.
Quantos empreendimentos a BSPar possui em Fortaleza?
Se não me falhe a memória, hoje estamos com 32 empreendimentos lançando e sendo preparados para lançar até 2012.
Qual o volume de empregos gerados na capital cearense?
Até meados de 2011, deveremos chegar a um total entre 1,1 mil e 1,2 mil empregos.
A qualificação será trabalhada junto a todos os empregados?
Sem dúvida. Dentro do possível, é tentar fazer do mestre de obras um engenheiro ou qualificá-lo melhor como mestre de obras, tentar levar o pedreiro a mestres de obras. Ou seja, ajudar essas pessoas a crescer dentro do mercado. Acho que isso oferece dignidade ao trabalhador.
O senhor gostaria de fazer mais alguma consideração?
Queria apenas deixar claro que a minha satisfação e a minha crença nos valores éticos são fundamentais. Foi por isso que construímos tanta coisa no Ceará. Também foi por causa desse meu pensamento, que me aliei à Delphi, pois os princípios da diretoria são extremamente fortes e éticos.
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