sexta-feira, 11 de março de 2011

Otimismo do mercado de capitais deve continuar, diz vice-presidente da Anbima

SÃO PAULO - Fevereiro foi novamente um mês de sucesso para o mercado de capitais brasileiro, conforme dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Houve um aumento de 98% nas emissões realizadas no ano, frente ao mesmo período de 2010, totalizando R$ 14,3 bilhões. Desse montante, R$ 10 bilhões correspondem ao mês de fevereiro. Após o bom resultado, o vice presidente da associação, Alberto Kiraly, comenta o início de ano aquecido, chamando a atenção para o equilíbrio entre renda fixa e variável na captação de fevereiro.
No acumulado do ano, todavia, a presença da renda fixa é realmente grande. Durante teleconferência, Kiraly revelou que o destaque fica com as debêntures e as notas promissórias, feitas sob regra de esforços restritos. Para o vice-presidente, essa preferência por renda fixa é uma tendência que vem desde o ano passado. As empresas optam por esse tipo de captação pelo fato de haver um alongamento de prazos e maior competitividade de custos.
Destaques da renda fixa
Nesse cenário, houve um grande avanço sobre debêntures e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários). Para Kiraly, o mercado imobiliário está em um ótimo momento e a tendência de crescimento deve continuar, uma vez que a demanda deve permanecer aquecida, com destaque para investimento não só de pessoa jurídica, mas também de pessoa física, o que mostra o potencial crescimento do setor. "No Brasil ainda há muito espaço para avançar nesse quesito", afirma o vice-presidente.
Ele ainda ressalta que as empresas do setor começarão a pensar em diversificação de fontes de financiamento.
Em relação às notas promissórias, Kiraly ressalta que o desempenho tem sido positivo. Esse tipo de operação, porém, relaciona-se a circunstâncias bem específicas das empresas. As empresas optam pelas notas promissórias tendo em vista um compromisso de curto prazo, feito isso, a empresa passa a planejar um refinanciamento a longo prazo, via debêntures.
Renda variável
Porém, Kiraly ressalta que o mercado começou forte para captações via renda variável. No ano são 4 IPOs (Initial Public Offering) e 5 follow-on (operações subsequentes ao IPO), com destaque para volume de R$ 3,1 bilhões captados via IPO, um valor 121,1% superior ao mesmo período do ano anterior, o que mostra o potencial desse segmento.
Para o vice-presidente, 2011 apresenta-se com um cenário mais favorável para IPOs em detrimento de follow-ons e, além disso, estas aberturas de capital na bolsa devem ser de menor porte. "Apesar de o risco ser grande, o apetite do investidor também é maior", conclui.
Captação no exterior
Outro grande destaque do resultado do mercado de capitais foi a captação no exterior. Kiraly destacou a atratividade dada pela alta dos juros no País.
Segundo o vice-presidente da associação, o bom volume captado está relacionado ao apetitie do investidor do mercado internacional, que nos dois primeiros meses do ano estava especialmente forte. Um dos principais fatores que explicam esse apetite é a crise do mundo árabe.
Porém, Kiraly refutou a hipótese de que as captações no exterior se destacaram por uma questão cambial. Para ele, apesar de o real estar fortalecido, o investidor que faz esse tipo de operação pode se endividar tranquilamente em dólar, ou ainda, são instituições financeiras que fazem swap para a moeda brasileira e depois emprestam em mercados locais.
Mesmo com um cenário promissor pela frente, durante a teleconferência, as incertezas que rondam o mercado não foram deixadas de lado. Segundo a associação, esse movimento recente de turbulência internacional cria volatilidade e deixa o mercado mais instável. Portanto, é difícil prever o que pode acontecer, ou em que ritmo as coisas podem evoluir. Questões como a alta do petróleo, a possibilidade de inflação na Europa e a mudança de foco para os EUA com seus sinais de melhora econômica, podem diminuir o fluxo de recursos para mercados emergentes, inclusive o Brasil.
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